Vacinação em massa reduz dengue no Paraná entre pessoas que já tiveram a doença

Dengvaxia, vacina contra dengue do laboratório Sanofi Pasteur, tem alta efetividade em pessoas com histórico da doença, mas em indivíduos que não tiveram dengue a vacina se associou a um maior risco de infecção pelo sorotipo 2

Publicado:

11/05/2025

Por Marina Senna Albuquerque Silva

Vacinas são ferramenta importante contra dengue, mas elas não apresentam 100% de eficácia, daí a importância do controle do mosquito, com ajuda da população – Fotomontagem de Jornal da USP com imagens de Governo do Estado de São Paulo/Flickr e Reprodução/Freepik

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Uma pesquisa em parceria entre a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP verificou a efetividade da campanha vacinal na incidência dos casos de dengue no Paraná em indivíduos vacinados com a vacina contra dengue Dengvaxia.

Avaliando as pessoas que foram vacinadas no Paraná entre os anos de 2016 e 2018 por meio de campanha promovida pelo Estado, os pesquisadores encontraram uma redução significativa nos casos de dengue. “A campanha esteve associada a uma redução de 21% no risco de dengue na população vacinada. Mas esse benefício não foi homogêneo na população”, expõe Fredi Diaz-Quijano, professor da FSP e primeiro autor do estudo divulgado na The Lancet Regional Health. “A verdade é que houve um forte benefício em pessoas que tinham histórico de dengue. Nelas, a redução do risco foi de 71%, enquanto não houve benefício significativo em pessoas que não tinham esse antecedente”, explica.

A vacina CYD-TDV (Dengvaxia) foi a primeira vacina contra dengue aprovada no Brasil, em 2015. A Dengvaxia, produzida pelo laboratório Sanofi Pasteur, é feita a partir do vírus da febre amarela atenuado – o vírus ainda vivo, mas enfraquecido – com a inserção de genes dos diferentes tipos do vírus da dengue em sua estrutura genética. Não há disponibilidade da vacina no SUS, devido às recomendações da OMS de vacinar apenas indivíduos com soropositividade para dengue, feitas em 2017.

Além da efetividade da campanha de vacinação, o estudo demonstrou a importância da vigilância epidemiológica no Brasil. Os dados utilizados para confirmar os antecedentes de dengue na pesquisa foram dos sistemas de vigilância dos municípios. Diaz-Quijano conta que esse é um dos achados mais interessantes do estudo, porque “podemos utilizar a informação técnica que já está disponível para orientar ou escolher candidatos para uma vacina”.

O Paraná enfrenta surtos de dengue desde a década de 1990 e, em 2015, com a liberação da vacina, foi realizada uma campanha de vacinação com a Dengvaxia, com início em 2016 e término em 2018, que abrangeu 30 cidades do Estado. Entretanto, em 2018 a OMS alterou a sua recomendação, indicando que a vacina Dengvaxia fosse aplicada somente em pacientes com exames que comprovassem o histórico de dengue.

Em outras pesquisas na região, os pesquisadores compararam indivíduos com características sociais e ambientais muito semelhantes, anulando a diferença que o estudo buscava observar entre os vacinados e não vacinados. No entanto, na pesquisa da UFPR em parceria com a USP, a comparação analisada foi entre os casos da doença e a população geral.

“Estimar a efetividade de uma vacina pode representar vários desafios. Usualmente, compara-se a frequência da vacinação em um grupo de casos da doença com aquela em controles sadios ou com outro tipo de problemas de saúde.”, conta Diaz-Quijano. “A gente percebeu que comparando casos com controles, saíam resultados contraintuitivos, como o de que a vacina não servia. Mas se eu seleciono alguns controles e pondero esses controles, para que se assemelhem àquela população, isso me permite alinhar outras análises, incluindo a modificação do efeito de benefício ou não benefício”, completa.

No estudo, foram incluídos os municípios que participaram da campanha de 2016 a 2018 e que notificaram casos de dengue entre 2019 e 2020, com indivíduos na faixa etária de 15 a 27 anos durante a campanha.

Eficácia em indivíduos com histórico de dengue
A vacina Dengvaxia apresentar um bom resultado com pacientes que têm histórico, enquanto que pode aumentar o risco de infeção por um dos tipos do vírus, o sorotipo 2, de pacientes que nunca foram expostos à dengue, tem como principal explicação, atualmente, um fenômeno chamado imunopotenciação, uma intensificação da resposta imunológica.

Nos casos de dengue, há um risco aumentado quando uma pessoa se infecta pela segunda vez, que geralmente é mais grave. No caso da Dengvaxia, explica Diaz-Quijano, a vacina tem uma resposta imunológica semelhante à de infecção. Na infecção secundária, como é chamada essa segunda contaminação, os anticorpos da infecção anterior parecem “facilitar que o vírus ingresse nas células e favorece que haja uma replicação, e uma resposta inflamatória exagerada”, explica o pesquisador.

Assim, em indivíduos que já estiveram expostos a um dos sorotipos da dengue, ao serem vacinados, adquirem um reforço que protege para futuras infeções. Já naqueles que não têm histórico da doença, a vacina conta como primeira infecção e, ao entrarem em contato com a doença novamente, pode acontecer a imunopotenciação, que explicaria o maior risco.

Para Diaz-Quijano, as vacinas são uma ferramenta de grande valor no combate à dengue, mas elas não apresentam 100% de eficácia. “Não devemos esquecer a importância da vigilância entomológica, do controle do entorno. Toda a população tem um papel também, de controlar e eliminar os criadouros, evitar infestações dos vetores e todas essas medidas que as pessoas já conhecem”, finaliza.

Estado Geral com Diogo Schelp

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11/05/2025

Por Marina Senna Albuquerque Silva

When George Whitesides started as a teenage technician in his father’s Kentucky lab in the early 1950s, the bond was immediate — and lasting.

Today one of the world’s most influential chemists, Whitesides, the Woodford L. and Ann A. Flowers University Research Professor, has worked on a wide array of scientific problems, shifting focus periodically to uncharted territory. Over the course of his long career — Harvard College, Cal Tech, MIT, and more than four decades as a researcher and teacher back at Harvard — he’s explored nuclear magnetic spectroscopy, organometallic chemistry, molecular self-assembly, soft robotics, unconventional data storage, microfabrication, nanotechnology, and the origin of life. He has published more than 1,200 scientific articles and holds more than 100 patents, and his many honors include the National Medal of Science. He’s also known for his ability to spin discoveries into new companies, including biotech giant Genzyme, purchased in 2011 by Sanofi.

In a conversation with the Gazette, Whitesides looked back on his life and career. The interview has been edited for clarity and length.

Your interest in chemistry starts in your father’s lab?

I don’t know where it came from. It was always interesting to me that the world was made of atoms and how those atoms combined, and I was a good chemist from the very beginning, so studying chemistry seemed like a sensible thing to do. I assumed I would end up working in the chemical industry.

It must have been a cut above the typical teenage summer job.

It was much more boring than that. I measured the pour-point viscosity of coal tar. You heat it up and put it in a cup. The cup has a hole of calibrated size in it and this very thick liquid dribbles out of the hole. You measure how long it takes for a given amount of liquid to dribble out and record that, then you can calculate from those data pour-point viscosity. It was part of the process of producing a standardized product and was boring to do, but it was also satisfying and something a high school student could manage.

You were at Phillips Andover before enrolling at Harvard. How was that experience?

I enjoyed Andover. I had a couple of teachers who were very good. I learned how to study and I certainly learned some chemistry. It was pretty standard for students who’d done well in prep schools to get early admission to Harvard, which I got. But I was not a star student. I got advanced placement in one course, maybe analytical chemistry. I took the first hour exam and got an F. I took the second hour exam and got an F. That same thing happened for the third hour exam. I don’t remember exactly how long the string went on, but I went to the teacher and said, “What do I do to salvage this? It’s going really badly.” And he looked at me very briefly and said, “Learn the material.” That was a very useful lesson. So I went away and learned the material.

What was Harvard like in the late 1950s?

It was the usual undergraduate experience. I knew it mostly from the collection of courses that I took. I had a good time while I was here but most of the good time came from courses I took and people who took the same courses. The one woman I met would eventually become my wife, Barbara. Her brother was my roommate, arbitrarily assigned at some point.

When George Whitesides started as a teenage technician in his father’s Kentucky lab in the early 1950s, the bond was immediate — and lasting.

Today one of the world’s most influential chemists, Whitesides, the Woodford L. and Ann A. Flowers University Research Professor, has worked on a wide array of scientific problems, shifting focus periodically to uncharted territory. Over the course of his long career — Harvard College, Cal Tech, MIT, and more than four decades as a researcher and teacher back at Harvard — he’s explored nuclear magnetic spectroscopy, organometallic chemistry, molecular self-assembly, soft robotics, unconventional data storage, microfabrication, nanotechnology, and the origin of life. He has published more than 1,200 scientific articles and holds more than 100 patents, and his many honors include the National Medal of Science. He’s also known for his ability to spin discoveries into new companies, including biotech giant Genzyme, purchased in 2011 by Sanofi.

In a conversation with the Gazette, Whitesides looked back on his life and career. The interview has been edited for clarity and length.

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I don’t know where it came from. It was always interesting to me that the world was made of atoms and how those atoms combined, and I was a good chemist from the very beginning, so studying chemistry seemed like a sensible thing to do. I assumed I would end up working in the chemical industry.

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It was much more boring than that. I measured the pour-point viscosity of coal tar. You heat it up and put it in a cup. The cup has a hole of calibrated size in it and this very thick liquid dribbles out of the hole. You measure how long it takes for a given amount of liquid to dribble out and record that, then you can calculate from those data pour-point viscosity. It was part of the process of producing a standardized product and was boring to do, but it was also satisfying and something a high school student could manage.

You were at Phillips Andover before enrolling at Harvard. How was that experience?

I enjoyed Andover. I had a couple of teachers who were very good. I learned how to study and I certainly learned some chemistry. It was pretty standard for students who’d done well in prep schools to get early admission to Harvard, which I got. But I was not a star student. I got advanced placement in one course, maybe analytical chemistry. I took the first hour exam and got an F. I took the second hour exam and got an F. That same thing happened for the third hour exam. I don’t remember exactly how long the string went on, but I went to the teacher and said, “What do I do to salvage this? It’s going really badly.” And he looked at me very briefly and said, “Learn the material.” That was a very useful lesson. So I went away and learned the material.

What was Harvard like in the late 1950s?

It was the usual undergraduate experience. I knew it mostly from the collection of courses that I took. I had a good time while I was here but most of the good time came from courses I took and people who took the same courses. The one woman I met would eventually become my wife, Barbara. Her brother was my roommate, arbitrarily assigned at some point.

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